Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira (25), o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, expressou dúvidas sobre o “interesse real” do Brasil e da China em liderar as negociações de paz entre Ucrânia e Rússia. Zelensky fez duras críticas aos planos apresentados por esses países, questionando suas intenções ao mediar o conflito.
“Quando alguns propõem alternativas, planos de acordo pouco entusiasmados, isso não apenas ignora os interesses e o sofrimento dos ucranianos, mas também dá a Vladimir Putin espaço para continuar a guerra”, declarou Zelensky. Ele foi enfático ao dizer que “vocês não aumentarão seus poderes às custas da Ucrânia”, em uma aparente referência ao papel do Brasil e da China.
Desde o início do conflito, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou interesse em atuar como mediador nas negociações entre Kiev e Moscou, propondo um plano de paz. Entretanto, o líder ucraniano afirmou anteriormente que só negociaria com a Rússia após a saída de Vladimir Putin do poder e exige um cessar-fogo imediato.
Questionamentos à Mediação Brasileira
Zelensky também demonstrou ceticismo quanto à neutralidade do Brasil. Desde maio deste ano, quando recebeu o assessor especial da Presidência brasileira, Celso Amorim, em Kiev, o presidente ucraniano tem deixado claro que o único plano de paz viável é o proposto pela Ucrânia. Em junho, Lula gerou polêmica ao acusar tanto Zelensky quanto Putin de “gostarem da guerra”, enfatizando a necessidade de um acordo de paz, o que provocou reações de Kiev. Zelensky já havia criticado o Brasil por priorizar alianças com a Rússia, em referência à participação do país no BRICS.
Lula, por sua vez, tem negado qualquer “defesa de Putin” e reafirmado que “não tem lado, meu lado é o da paz”. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Lula defendeu a diplomacia como caminho para o fim da guerra, mas Zelensky refutou a ideia de uma “paz imposta”. “Nós, ucranianos, nunca aceitaremos isso”, afirmou o líder ucraniano, referindo-se a propostas de paz que possam comprometer a soberania de seu país.
Denúncia de Plano Russo para Atacar Usinas Nucleares
Além das críticas à mediação internacional, Zelensky acusou a Rússia de planejar um ataque coordenado a usinas nucleares da Ucrânia. Segundo o presidente, Moscou estaria conspirando para provocar um desastre nuclear como parte de suas estratégias militares, sem fornecer mais detalhes sobre essas acusações.
A Assembleia Geral da ONU, que reúne líderes e representantes dos 193 países membros, é o principal evento diplomático da organização. A sessão, que começou na terça-feira (24), contou com discursos do presidente Lula e do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no primeiro dia.




