NOVA YORK — 15 de maio de 2025 — Apesar de apresentar crescimento sólido no último trimestre, o Walmart alertou que o impacto das tarifas comerciais e a instabilidade econômica podem forçar um aumento de preços em suas lojas já nas próximas semanas. A expectativa foi confirmada pelo diretor financeiro da empresa, John David Rainey, que afirmou que os consumidores devem começar a notar as mudanças em maio.
As ações da Walmart recuaram 4% nesta quinta-feira (15), às 9h54 no horário de Nova York — a maior queda intradiária da empresa em cerca de um mês. Ainda assim, os papéis acumulam alta de 7,2% no ano, superando o índice S&P 500.
No trimestre encerrado em 30 de abril, as vendas nas lojas da rede nos EUA com mais de um ano de operação cresceram 4,5%, e o lucro ajustado foi de US$ 0,61 por ação — ambos os indicadores superaram as expectativas de Wall Street. O desempenho reflete a estratégia da empresa de cortar preços para ampliar sua participação de mercado, principalmente em setores como alimentos e farmácias. Já o segmento de mercadorias gerais registrou queda nas vendas.
Apesar dos resultados positivos, a companhia optou por não divulgar uma previsão para o próximo trimestre, citando a volatilidade das políticas comerciais e seus impactos sobre os custos operacionais. “O cenário muda a cada semana — e em alguns casos, a cada dia”, declarou a empresa em comunicado.
O CFO John Rainey afirmou que os efeitos das tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump estão começando a ser sentidos nas lojas e devem se intensificar. Produtos importados de países como Costa Rica, Colômbia e Peru, incluindo frutas, café e flores, estão entre os mais afetados.
O presidente-executivo Doug McMillon reforçou o compromisso da empresa em manter os preços mais baixos possível, especialmente em alimentos, mas admitiu que nem todos os produtos poderão ser poupados. “Queremos crescer o lucro mais rápido que as vendas”, destacou, sinalizando que a preservação das margens continua sendo prioridade.
O Walmart informou ainda que sua operação digital registrou lucro pela primeira vez no último trimestre, com aumento de 21% na receita do comércio eletrônico nos EUA. O desempenho tem sido impulsionado por serviços de retirada e entrega, além de uma maior penetração junto a consumidores de renda mais alta.
Analistas consideram o desempenho da varejista um termômetro da economia americana. Michael Lasser, da UBS Securities, apontou em nota que a Walmart “demonstrou sua resiliência” em um ambiente volátil, mas a perspectiva de repasses de custos ao consumidor eleva o nível de atenção para o restante do setor.
Empresas como Procter & Gamble, Kraft Heinz e Southwest Airlines também revisaram suas projeções ou expressaram preocupação com a atual conjuntura. Embora acordos temporários, como o recente pacto de 90 dias entre EUA e China, ofereçam alívio parcial, as constantes mudanças dificultam o planejamento de longo prazo, segundo executivos do setor.
A Walmart, por sua vez, continuará buscando alternativas para minimizar os impactos. Entre as medidas já adotadas estão a substituição de insumos tarifados, como alumínio, por outros materiais, como fibra de vidro, além da redistribuição de pedidos entre centros de distribuição.
Ainda assim, a empresa reconhece que o ambiente atual é desafiador. “Não há precedentes para aumentos de preços dessa magnitude e velocidade. Os varejistas não conseguem absorver tudo sozinhos”, concluiu Rainey.




