02 de junho de 2025 — Um tiroteio envolvendo soldados israelenses e civis palestinos ocorreu nesta terça-feira (2) próximo a um ponto de distribuição de alimentos no sul da Faixa de Gaza, deixando ao menos 27 mortos e dezenas de feridos, segundo informações do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O incidente aconteceu na região de Al-Mawasi, nos arredores de Rafah, e é o segundo episódio semelhante em três dias na mesma área.
De acordo com o Exército de Israel, os disparos foram feitos contra “suspeitos” que, segundo os militares, avançaram em direção às tropas durante o deslocamento de uma multidão em direção a um centro de distribuição operado pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF). A nota oficial informa que os tiros ocorreram após alertas verbais e disparos de advertência, e que os envolvidos representavam uma ameaça à segurança dos soldados. Israel afirma ainda estar investigando o caso e reconhece ter conhecimento das denúncias sobre vítimas civis.
O Ministério da Saúde de Gaza relatou que entre os mortos há muitas crianças, e que vários feridos chegaram aos hospitais com ferimentos a bala, inclusive na cabeça e no peito. Segundo autoridades locais, tanques e drones teriam participado da ação. O CICV informou que este foi o maior número de feridos recebidos em um único incidente desde a abertura de seu hospital de campanha no sul do enclave.
Autoridades médicas relatam que a dificuldade de acesso ao local impediu a chegada de ambulâncias, forçando o transporte de feridos em carroças puxadas por animais. A escassez de suprimentos médicos, como gaze esterilizada, foi também apontada como fator crítico para o atendimento dos feridos.
A ONU classificou o ataque como um possível crime de guerra. Volker Turk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou que os ataques contra civis que tentam acessar ajuda alimentar “são inaceitáveis e constituem uma grave violação do direito internacional”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o episódio e pediu uma investigação independente.
A Fundação Humanitária de Gaza, organização americana responsável pela distribuição de alimentos, afirmou que as entregas naquela manhã ocorreram de forma segura, mas reconheceu relatos de disparos fora da área de distribuição. O modelo de operação da fundação, aprovado por Israel, tem sido alvo de críticas de organizações humanitárias e da própria ONU, que alegam que ele expõe os civis a riscos adicionais por exigir o deslocamento até áreas consideradas seguras pelas autoridades israelenses.
Entidades como Médicos Sem Fronteiras alertaram para os perigos do novo formato de distribuição, afirmando que ele é ineficaz, perigoso e contribui para o agravamento da crise humanitária. Israel, por sua vez, defende a centralização da distribuição como forma de evitar que o Hamas intercepte os suprimentos.
O incidente ocorre em um contexto de crescente tensão e insegurança para a população civil em Gaza, onde milhares de pessoas dependem da ajuda internacional para sobreviver em meio à guerra em curso, iniciada em 2023.




