O Senado dos Estados Unidos deve votar ainda nesta quarta-feira uma resolução que pode bloquear as tarifas comerciais implementadas pelo presidente Donald Trump. A proposta, apresentada como uma resolução privilegiada pelo senador democrata Ron Wyden, tem potencial para encerrar a emergência nacional declarada por Trump e que serve de base legal para a imposição de tarifas globais de 10% sobre os parceiros comerciais do país.
A votação ocorre em um momento de crescente preocupação com o desempenho da economia americana. Segundo dados divulgados nesta manhã pelo Departamento do Comércio, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA caiu 0,3% no primeiro trimestre, contrariando expectativas de crescimento e marcando a primeira contração econômica em três anos. A queda foi atribuída, entre outros fatores, ao aumento nas importações realizadas por empresas que buscavam antecipar-se aos custos adicionais das tarifas.
A proposta de Wyden, que também conta com apoio do senador republicano Rand Paul, busca restringir o uso da autoridade presidencial para impor tarifas com base em declarações de emergência nacional. A medida também poderia reverter as tarifas recíprocas aplicadas recentemente a 57 parceiros comerciais, incluindo países aliados como a União Europeia e o Canadá.
A senadora republicana Susan Collins, do Maine, declarou que votará a favor da resolução. “Não é perfeito. Acho que é muito amplo. Mas envia a mensagem que eu quero passar: que realmente precisamos ser muito mais criteriosos na imposição dessas tarifas”, afirmou, destacando a necessidade de diferenciar aliados de adversários comerciais.
Apesar de o Senado ser controlado por republicanos, a proposta tem ganhado apoio bipartidário. Um projeto semelhante foi aprovado semanas atrás com o apoio de quatro senadores republicanos, visando reverter tarifas sobre o Canadá.
Wyden, no entanto, reconhece os desafios políticos. Segundo ele, muitos republicanos temem retaliações de Trump. “Eles podem ficar do lado de seus eleitores que sentem que essas tarifas os estão atingindo como um martelo. Ou podem dizer: ‘Donald Trump pode ser cruel comigo, então não vou votar a favor’”, disse o senador.
O debate em torno das tarifas ganhou novo fôlego após a divulgação do déficit comercial recorde dos EUA em março, reflexo da alta nas importações. Economistas e empresários têm manifestado preocupação com o impacto das tarifas sobre os custos de produção, os preços ao consumidor e as relações comerciais com aliados históricos.
A decisão do Senado pode representar um ponto de inflexão na política econômica do país, influenciando não apenas o rumo das tarifas, mas também a estabilidade dos mercados e o relacionamento dos EUA com seus parceiros internacionais.




