O governo Trump está adotando a política migratória mais rígida das últimas décadas, com medidas para conter a entrada de imigrantes, acelerar deportações e restringir o acesso a benefícios públicos. Parte dessa estratégia inclui a construção, no Texas, do maior centro de detenção já feito no país, com capacidade para mais de 5 mil pessoas, dentro de um plano que visa criar 100 mil vagas e deportar até 1 milhão de imigrantes por ano. Paralelamente, o presidente emitiu ordens executivas para tentar limitar o direito à cidadania por nascimento e outra que amplia deportações imediatas, além de punir cidades que não colaboram com as autoridades migratórias. Também foi assinada uma proclamação que restringe a entrada de cidadãos de 12 países considerados de alto risco, embora algumas exceções, como portadores de green card, ainda sejam aceitas.
Além disso, o governo impôs novas taxas para processos migratórios, como US\$ 250 para vistos de não-imigrante, US\$ 100 para pedidos de asilo e US\$ 550 para autorizações iniciais de trabalho, o que já tem causado impactos no turismo e na imigração legal. Programas sociais federais também foram afetados, exigindo agora comprovação de status migratório até mesmo para o acesso de crianças a programas educacionais, o que motivou 20 procuradores-gerais estaduais a abrirem um processo contra o governo, alegando discriminação. Essas medidas geraram cautela entre famílias imigrantes, especialmente em estados como Illinois e Kentucky, onde houve aumento nas ações do ICE e relatos de crianças deixadas sozinhas após a prisão de seus pais.
O Judiciário, por sua vez, tem atuado para conter alguns excessos, como no caso recente em que um juiz barrou a deportação imediata de um imigrante salvadorenho preso por outro motivo, alegando risco de violação de direitos legais. Politicamente, o tema tem dividido o país: enquanto a ala republicana apoia integralmente as medidas, alguns membros moderados pedem ajustes mais humanitários, e os democratas pressionam por mais transparência e garantias legais, como no projeto “Visible Act”, que busca proteger imigrantes com vínculos familiares e trabalhistas nos EUA.




