Dólar recua 1%, abaixo de R$ 5,50, após estímulos da China e ata do Banco Central

O dólar iniciou esta terça-feira (24) com queda frente ao real, sendo negociado abaixo de R$ 5,50. O recuo, de 1%, ocorre após o anúncio de medidas de estímulo econômico na China, o que elevou as expectativas em torno da demanda da segunda maior economia global. Ao mesmo tempo, investidores observam atentamente a ata da reunião de política monetária do Banco Central do Brasil.

Às 9h53, o dólar à vista tinha queda de 1,02%, sendo cotado a R$ 5,477 na compra e R$ 5,478 na venda. O contrato futuro do dólar, com vencimento mais próximo, também caía 0,98%, a 5.4885 pontos. Na segunda-feira, a moeda norte-americana fechou com alta de 0,26%, cotada a R$ 5,5352.

Intervenção do Banco Central
O Banco Central brasileiro anunciou um leilão de até 12 mil contratos de swap cambial tradicional, com o objetivo de rolar vencimentos de novembro de 2024, como parte de suas medidas para controlar a volatilidade do câmbio.

Impacto global e medidas chinesas
O anúncio de estímulos econômicos por parte da China gerou otimismo nos mercados internacionais. O país, que enfrenta uma prolongada crise no setor imobiliário e uma demanda interna enfraquecida, divulgou uma série de ações para injetar liquidez e reduzir os custos de empréstimos. O Banco do Povo da China cortou a taxa de compulsório em 50 pontos-base e a taxa de recompra reversa em 0,2 ponto percentual, visando impulsionar a economia. Outras medidas foram direcionadas para estimular o mercado imobiliário e a compra de ações.

Essas ações trouxeram otimismo em relação ao consumo chinês, já que o país é o maior importador global de commodities. Países emergentes, como o Brasil, que dependem das exportações de matérias-primas como petróleo e minério de ferro, foram positivamente impactados, resultando em uma valorização de suas moedas e ativos.

Contexto doméstico e política monetária
No Brasil, a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) também influenciou o cenário. O documento confirmou uma alta de 25 pontos-base na taxa Selic, que agora está em 10,75% ao ano. A ata indicou que o Banco Central mantém seu foco na meta de inflação, apesar das incertezas econômicas.

Na última semana, o real se fortaleceu em relação ao dólar devido ao aumento do diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, uma vez que o Banco Central brasileiro segue um ciclo de aperto monetário, enquanto o Federal Reserve, banco central dos EUA, começa a afrouxar sua política de juros.

Analistas do mercado, como Matheus Spiess da Empiricus Research, destacam o tom rígido do Banco Central brasileiro, que pode sugerir novos aumentos na Selic para controlar a inflação. No mercado internacional, as expectativas sobre as próximas decisões de juros do Fed estão divididas, com apostas entre uma redução de 25 ou 50 pontos-base na próxima reunião em novembro.

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